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06/02/2012

Nadal x Djokovic na final do Aberto da Austrália


Fernando Costa

 

A última final do Australian Open entre Novak Djokovic e Rafael Nadal acendeu o mundo do tênis como há muito não se via. De um lado, o melhor jogador do mundo da atualidade e do outro um guerreiro incansável.

Após cerca de 6 horas de batalha, e de um duelo de fazer inveja ao MMA, Djokovic confirmou sua condição de melhor do mundo. Nadal, mais uma vez, confirmou sua condição de maior guerreiro da história do tênis. 

O mundo do tênis espantado e ao mesmo tempo orgulhoso da qualidade técnica de Djokovic, afinal de contas, quem não quer ver um jogador alegre, rápido e vencedor que jogue pra frente e de técnica impecável.

Um dia, todos nós que gostamos e vivemos no tênis sonhamos em jogar assim. Djokovic também. Nem sempre ele jogou assim. É claro que a trajetória do sérvio foi recheada com vitórias desde jovem. Mas havia outros também.

Outros tantos que também tinham potencial para se tornar grandes jogadores, mas que por diversos motivos foram perdendo a fé pelo caminho. Muitas vezes por não suportarem a dureza do tênis que envolve derrotas e vitorias. 

Muito mais derrotas que vitórias. Outros despontaram precocemente, obtendo inúmeros títulos enquanto jovens, mas tiveram enormes dificuldades na transição do juvenil para o profissional. Também tem aqueles, que nem ao menos tiveram suporte familiar para seguir na luta pelo seu sonho.  
Lesões, falta de apoio financeiro, namoradas, técnicos medíocres etc.. Existem inúmeras razões para justificarmos nosso insucesso. Razões verdadeiras. Ninguém enxerga chifre em cabeça de cavalo. As dificuldades que aparecem na carreira de um tenista de competição são muitas. Quando não é a quadra, que tem que ser peleada com os sócios de clube, é a direita avassaladora do adversário. 

Quando não é a nossa esquerda que pifa no meio do jogo, é o patrocinador que não aguenta mais bancar as viagens do filho sonhador. Como se não bastasse, a vida fora das quadras ainda fica batendo na janela todos os dias, oferecendo um leque de opções como estudar nos EUA com bolsa de estudos pelo tênis (o que não é pra qualquer um), empregos com salário estável, carros, amigos, festas e por aí vai. São muitas as "oportunidades" para desistirmos de nosso maior sonho.

E foram muitas adversidades que jogadores como Guga, Djoko e Nadal tiveram que superar também. Por mais crença ou confiança no taco que eles tivessem, nenhum deles tinha vaga assegurada no topo do ranking.

Essa garantia ninguém tem. Ninguém nasce com ranking pendurado no pescoço. Alguém ouviu falar de Luis Manuel Flores? Pois é. Esse tenista mexicano venceu Djokovic em 2003 por 7/6 6/1 nos juniors. Mais tarde Luis Manuel chegaria ao ranking de 400 do mundo, mas logo após desistiu. Por quê?  Sei lá. Fiquem à vontade para escolher a razão do abandono. 

Difícil não é desistir. Difícil é conseguir. Perder é a coisa mais fácil do mundo. Fracassar é uma barbada. Difícil é virar jogo. Difícil é recuperar-se de cirurgia. Difícil é dar a volta por cima. Difícil é trabalhar sem estrutura. Difícil é virar um jogo de 6/3 5/1.

Difícil é não ter bom histórico juvenil e virar um bom profissional. Difícil é perder todo o ranking e ainda voltar com tudo como Agassi fez. Difícil é perder o pai na quadra e ainda chegar a numero 1 do mundo.

Talvez seja essa a maior lição deixada por Nadal e Djokovic na final épica que realizaram pelo Australian Open. Alí estavam, por incrível que pareça, dois seres humanos. Dois tenistas que também tiveram incertezas durante a carreira. 

Tenistas que também enfrentaram dificuldades enormes pra chegar onde chegaram. Jovens que também foram e são tentados a aproveitar a vida fora do tênis. Ainda mais agora que são ricos, famosos e vencedores de diversos Grand Slams. 

Mas isso é exatamente o que diferencia estes dois da grande maioria. Jamais negociam seus sonhos. E numa lição de humildade, capacidade de superação e caráter de cada um, fizeram questão de proporcionar um dos maiores jogos de todos os tempos para o mundo inteiro ver e se emocionar que ficará em nossas memórias para sempre.

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